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Descanso
Descanso de tantas guerras e tormentos da alma descanso de tantas dores, do cansaço de lutar descanso porque enfim temos hora de descansar Descanso e nesse reencontro a minha calma
Descanso os olhos de lágrimas de tanto pedir descanso de tantos lamentos e feridas abertas descanso porque enfim já estão bem cobertas Descanso e nesse posso afinal voltar a sorrir
Descanso minha cabeça na tua força imensa naquela que sempre amou de forma intensa sabendo que tens a chave de meu coração
Descanso em ti anos de luta comigo, procuras vãs em ti todas as escolhas foram perfeitas e sãs e eternamente me defenderam da nossa solidão
(Maria João)
repouso agora no regaço estas mãos
que foram débito de ternura
repouso-as agora
feridas de arestas
de sonhos que não tocaram
filhas de ilha nenhuma
repouso-as
a serem lidas por ti
que serás sempre
a minha proa.
. . .
e abraço-te , quase com as mãos afagando-te os cabelos
...sem débitos de ternura.
lua
repouso-as
(obrigada meu amor
a tua lua ofusca o meu sol)
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Eterno
Eternos amores eternos procuro ânsia onde existe calma e doçura como se no fogo pudesse repousar , o corpo pousar e adormecer procuro o sol onde só existe ódio e amargura como se da dor te pudesse acordar, a alma mudar e reviver Eternos amores eternos procuro onde tudo se torna momentos de escuridão como se em ti pudesse porventura encontrar alguma luz procuro uma réstea do que um dia foi coração como se a angustia fosse tudo o que em verdade me seduz Eternos amores eternos procuro loucura de paixão passageira e doentia como se meu corpo a precise de inspirar, de a respirar procuro ensejos passados de liberdade tardia como se dela fosse possível viver, como se pudesse amar Eternos amores eternos procuro onde nunca encontrarei não são esses os tais, o tal como se não pudesse escapar do que nunca poderá existir procuro e no entanto encontrei há tanto o único, o sem igual como se nas lágrimas não fosse o que sempre me faz sorrir Eternos amores eternos não são os que tantas vezes procuramos são os que muitas vezes já encontrámos (Maria João)
O teu cheiro
Surgiste como neblina entorpecedora, num dia quente de Março, num baú há muito arrumado de memórias doridas Surgiste como compasso acelerado, num coração cheio de sonhos, há muito curado de intensas e fugazes feridas Surgiste como paixão sôfrega, num tempo de vida, em que se houvera transformado de todas as dores já paridas
Surgiste neblina, compasso, paixão Surgiste do nada, arrasaste meu coração
Como chegaste partiste......
Partiste na onda dos dias vividos, quando já tudo acabara como se nada fosses senão recordação Partiste no vento dos dias sofridos, de quem te amara e não recuperei meu coração Partiste igual ao que foste nos meus desejos queridos, de quem definhara para te tornares numa ilusão
Partiste na onda, no vento, igual Partiste e foste erro descomunal
Partiste inteiro deixaste comigo o teu cheiro (Maria João)
A minha outra metade
Senti que crescias no meu ser ainda antes de haveres nascido Foste poema de meu poeta preferido como se sem ti nem pudesse haver
Cresceste no meu ventre qual flor foste um sonho que vi nascer E num querer mais que bem querer reinventaste o que até então era amor
Quando hoje te sinto no coração só penso no dia em que nasceste e tudo o que sabia virou ilusão
Nunca imaginei sequer a verdade até que de dentro de mim vieste e contigo foi a minha outra metade (Maria João)
Luisa, de todas as vezes que deixaste a tua inspiração cravada no meu espaço esta é a que mais significa para mim e tu sabes porquê obrigada por correres dentro de mim como um rio nas tuas margens tantas vezes retempero forças e esqueço problemas tão pequenos, tão insignificantes
nasceste-me
num ventre convexo
curvo de respiração
de água e futuro
___ És-me ____
mão cheia
pungente
elegia de amor e
de pele
temporal
de bonança
sulco e
ninho.
///
amor maior...
e na fragilidade de ser falésia
enrolo-te no abraço do poema.
lua
Passado
À beira mar sentou e sonhou
Horas passadas num grito mudo de quem queria o que não sabia de quem sabia o que não queria de quem não queria e bem sabia Horas passadas num alerta surdo
Ali ficou à espera de alguém que um dia chegou vinda do vento que não lhe trouxe nada mais que sofrimento que prometeu sempre um novo alento Ali ficou e não chegou ninguém
Levantou seus olhos ganhou coragem sacudiu de si tudo o que foi tirado inaugurou sonhos novos no que foi esperado tornou num outro futuro o que era passado Levantou seus olhos seguiu viagem
A vida já vivida não procura culpado de pouco serve sobre ela deixar-se ficar de pouco serve sonhar que não mais vamos amar de nada serve relembrar só para poder chorar A vida já vivida nada mais é senão passado (Maria João)
Partir
Partir sem destino levar comigo todas as formas do verbo amar deixar aqui atrás de mim o que já foi vivido perder pelo caminho tudo o que é já perdido despir todas as peles para entrar no mar
Partir sem destino na mala as dores mágoas sofrimentos esperanças fechadas a cadeado de forma a nada poder sair memórias que já não tenho podem agora partir marcas sonhos lágrimas que já são meras lembranças
Partir sem destino deixar no mar o que já não quero o tempo que não volta e não tem razão limpar tudo o que já não espero
Partir sem destino no entanto de regresso marcado na água salgada purificar o coração voltar a casa ao destino sempre esperado
Partir sem destino mas voltar a ti ...... (Maria João)
pousar os lábios sobre as páginas de um livro
como se acenasse um lenço
sem perguntas para fazer...
. . .
a criança que fui chora na estrada
quando os instantes da manhã
são verbos para conjugar...
não me perguntes quem sou
...talvez o mar
sobre estas páginas escritas
difíceis de soletrar.
abraço-te...de dentro deste olhar.
lua
(és tão rara que te sorvo de cada vez que iluminas o meu espaço
como se em mim vivesses em segredo e surgisses breve mas intensa
obrigada Luisa
as tuas palavras são saboreadas por mim
letra a letra)
Marcas do Tempo
No corpo na alma chegam por fases, sossegadas, sorrateiras, desinteressadas, matreiras instalam-se, abrem caminhos espalham-se, mudam destinos Marcas do tempo vivido, passado, cansado, sofrido Sinais no corpo, na alma de paixões perdidas, encontradas de tantas lágrimas caídas, enxugadas Gravadas na pele catalogadas a sangue deixadas por alguém partilhadas com ninguém Rugas e sulcos evidentes de tantos sorrisos e alegrias de tantas dores e mágoas Vincos e rasgos tão presentes Sinais que o tempo vai levando Marcas que o tempo vai deixando No caminho cruzado com tantos outros vamos sugando e deixando ir vamos perdendo deixando partir E, as marcas vão ficando no peito, no rosto, na alma na calma, no desgosto,no não feito Marcas do tempo sinais de que crescemos, aprendemos sorrimos, parimos amámos, deixámos Sinais que o tempo quer deixar que queremos apagar Sinais que fazem parte de nós Sinais que não nos deixam ficar sós Sinais e marcas de passado, presente, futuro Sinais e marcas que servem para nos lembrar que só viemos passar uns tempos para depois voltar (Maria João)
(tu desculpa Luisa, doce Luisa mas as tuas palavras são tão profundas que todas as aproveitamos para embelezar o nosso espaço)
sentada neste pátio da vida
sou apenas um fragmento
uma flauta do mar
o vento.
sou um barco naufragado
uma tempestade a rebentar
nos bicos dos melros do quintal
sou a sombra e a sua chama
sou tudo
em tudo
sou a terra toda
que me vive no corpo e
me consome num fulgor obscuro.
...beijo-te...
um beijo claro e redondo como a terra.
e eu beijo-te a ti eternamente ainda que muito breve
lua
As palavras
Palavras soltas no vento procuradas, inventadas, encontradas Palavras presas no tempo sufocadas, desbocadas, entornadas
Palavras que nos encontram nos cantos perdidas, esbatidas, empedernidas Palavras que nos amparam os prantos feridas, sofridas, esvaidas
Palavras que nos aquecem o coração carinhosas, amistosas, piedosas Palavras que nos chamam à razão poderosas, fulgorosas, tenebrosas
Palavras que nos podem salvar maduras, seguras, doçuras Palavras que nos querem magoar amarguras, impuras, obscuras
Palavras soltas no vento Palavras presas no tempo Palavras que custam a engolir Palavras que querem tanto sair
Palavras Só palavras !! (Maria João)
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