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    SOU EU

     

     

    Sou eu

    sou eu a rebelde, a incompreendida

    sou eu a alegria tantas vezes perdida

    Sou eu

    sou eu a mãe ansiosa, a mãe eterna

    sou eu a certeza eternamente materna

     

    Sou eu

    eu que somente sou o que quero ser

    eu que sou o que devo, o que aposto

    eu que somente sou o que suporto

    eu que sou aquilo que quero crer

     

    Sou eu

    eu a mulher forte, a mulher serena

    eu a mulher só em dimensão: pequena

    Sou eu

    eu a mulher lutadora, a mulher amante

    eu a mulher nunca nunca distante

     

    Sou eu

    eu que amo com toda a intensidade

    eu que tanto perdi e voltei a nascer

    eu que vivo a vida somente para crescer

    eu que em enfim procuro a felicidade

     

    Sou eu!

    (Maria João)

     

     

     

    DIVAGAÇÕES SOBRE SE............

     

     

     

    Se nesse dia tão chuvoso

    nunca houvera eu saído

    e jamais ter-te conhecido

    não seria meu olhar penoso

     

    Se num dia qualquer

    por aqui me houvera quedado

    e nunca te haver encontrado

    quem sabe seria menos mulher

     

    Se um dia os olhos meus

    não tivessem cruzado os teus

    quem seria eu neste Mundo?

     

    Se minha alma perdida

    não tivesse sido por ti traída

    seria meu amor menos profundo?

     

    (Maria João)

    SE UM DIA TE REENCONTRAR

     

     

    Se um dia te reencontrar

    apenas quero olhar bem dentro desses olhos

    nesses onde um dia me perdi

    apenas perceber onde foi o nosso fim

     

    Se um dia passares por mim

    nas ruas desta vida de ciclos

    apenas quero ver-te passar

    para perceber se ainda moras no meu corpo

     

    Se um dia conseguir esquecer

    aqueles momentos apaixonantes

    que vivemos sem sequer os entender

    o momento em que o nosso caminho bifurcou

     

    Se um dia quiser recordar

    o que de novo me fizeste sentir

    tudo o que passei por e sem ti

    os meus medos, lágrimas e amarguras

     

    Se um dia te reencontrar

    se um dia passares por mim

    se um dia conseguir esquecer

    se um dia quiser recordar

     

    nesse dia espero que sejas só imaginação!

     

    (Maria João)

     

    A PINTURA DA VIDA

     

     

     

    Faço da vida uma pintura de retalhos

    da pintura a minha vida deste momento

    quadros de pedaços amargurados e duros

    doridos e inebriantes, supremos e de sofrimento

     

    Todas as vidas são um simples pintura

    de pinceladas espalhadas ao acaso

    de todas as cores ainda por momear

    cores pensadas pra fugir ao eterno fracasso

     

    Faço da vida uma pintura de retalhos

    procurando avidamente no pensamento

    aqueles que consideramos os melhores atalhos

     

    Em todas as vidas uma simples pintura

    em que nas cores que escolhemos

    escondemos todos os dias de amargura

     

     

    (Maria João) 

    DO OUTRO LADO

     

     

     

    O outro lado.......

    o outro lado da vida

    o outro lado de nós

    o outro lados dos outros

    o outro lado da morte

     

    O fascinio pelo outro lado

    o outro lado da emoção

    a nossa vida por outro lado

    o outro lado do coração

     

    Sempre um outro lado

    que nos consome o pensamento

    queremos um outro lado

    que nos diminua o sofrimento

     

    O inverso do nosso lado

    que queremos compreender

    será que lá do outro lado

    conseguimos por fim entender?

     

    Procuramos nesta vida

    um outro lado das emoções

    encontramos no outro lado

    o mundo inteiro de suposições

     

    (Maria João)

    MEMÓRIAS

     

     

     

    Memórias

    memórias de amor, de paixão

    percorrendo toda uma vida, a nossa vida

    memórias de um encontro dum segundo

    transformado em eternidade

    memórias sufocadas, enterradas, esmagadas

    no mais fundo do meu ser

    no baú sem fundo da minha verdade

     

    Memórias

    despertadas de novo em mim

    por palavras que não dizes, que não queres

    memórias que depuseste de novo em mim

    que adormecidas naquele baú dos sentidos

    não me permiti abrir uma única vez

    que julgava inertes e acabadas de vez

    que voltam a abrir meu coração

     

    Memórias

    de sensações vividas e perdidas

    que julguei não mais querer, ou poder

    memórias de noites e dias de loucura

    que bloqueei nesse pobre baú

    que nunca mais havia olhado ou aberto

    e que me permito de novo, e desejo

    que se volte a abrir para me deixar respirar

     

    e de novo voltar a sentir

    outras, simplesmente outras memórias

    que quero construir

     

    (Maria João)

     

     

    CHUVA

     

     

    Cai a chuva

    lágrimas que se fundem em terra fértil

    mágoas que se escondem nas fendas do solo

    dores e lamentos levados na enxurrada

     

    Cai a chuva

    lava a minha alma, expurga os meus tormentos

    molha o meu corpo, esquece a saudade

    abandona todo o meu ser de regresso a casa

     

    Cai a chuva lá fora

    escorrem as lágrimas em meu rosto

    a vontade de te querer, a vontade de te ter

    o resto de mim que levaste preso em ti

     

    Cai a chuva lá fora

    passam por mim tuas mãos

    uma última vez, num derradeiro adeus

    e o resto de mim fica  p'ra sempre em ti

     

    (Maria João)

     

     

    A NOSSA MÚSICA

     

     

    Vivi uma linda história de amor, a mais doce, a mais quente

    vivi contigo dias de cor, dias com sabor,

    sonhei contigo sonhos despertos, um sonho ardente

    fui contigo ao arco iris e pintei-lhe mais uma cor

     

    Tantas vezes te pedi mais e mais, te pedi tudo

    sem querer respirar sem ti, viver sem ti

    tu ficavas cada vez mais mudo

    eu finalmente parti

     

    Enquanto vivi o nosso amor

    nunca quis perceber

    que para acabar a dor

    tinha de te perder

     

    (Maria João) 

     

     

    Não fui

     

     

    Escrevi o teu nome na Lua para o poder contemplar

    de longe todos os dias te olhava

    o meu sonho, o meu coração, pendurados por lá

    Escrevi o teu nome na Lua com tinta das minhas lágrimas

    de longe todos os dias chorava

    a minha dor, a minha saudade, deixados por cá

     

    Escrevi o teu nome na Lua

    e por lá o deixei ficar

     

    Podia ver-te nos reflexos do luar como se me esperasses

    e eu entorpecida acreditava

    no teu olhar, nas tuas lágrimas, no teu pedido

    Podia ver-te nos reflexos do luar como se me amasses

    e eu adormecida era levada

    na tua mentira, nas tuas palavras, nas meias verdades

     

    Escrevi o teu nome na Lua

    e por lá o vou deixar

     

    é só um nome que com nada rima

    e a minha vida não é aí em cima!

    (Maria João)

     

     

    Dona do seu nariz

     

     

    Ar altivo, imponente, elegante, distante e superior

    Ar doce, sereno, sedoso e submisso

     

    És a força, a paixão, a coragem e o amor

    És a dor, o pesadelo, a lágrima e o desespero

     

    Vives para todos sem que vivam para ti

    Sofres por todos sem que sofram por ti

     

    Pares, amparas, carregas sem queixume

    Sofres, choras, suplicas sem razão

     

    Constróis e destróis caminhos

    Amas e odeias intensamente

    Fazes e desfazes sonhos

    Vais e vens sempre sozinha

     

    És fogo, ar, terra e água

    És a luz e o mistério

    És a mãe e a amante

    És o alicerce e a fundição

    És simplesmente

    MULHER !!!!!

    (Maria João)

     

     

    Naquele dia

     

     

     Magoam-me as correntes dos pulsos

    das quais me quero libertar

    são o espelho de passados nunca esquecidos

    de marcas profundas que não sararam

    de dores eternas cunhadas na minha alma

    de caminhos mal escolhidos e percorridos infinitamente

     

    Magoam-me as correntes dos pulsos

    nas quais me mantive prisioneira

    são  pedaços estilhaçados de mim própria

    de palavras que nunca te disse

    de sentimentos que nunca gritei aos ventos

    de pegadas de sangue deixadas em mim para sempre

     

    Magoam-me as correntes dos pulsos

    enferrujadas pelas minhas lágrimas

    no desespero de não encontrar as chaves

     

    Magoam-me as correntes dos pulsos

    porque delas nada mais espero

    que não seja o final desta prisão!

     

    (Maria João) 

    Provas

     

    Nunca te procurei

    acabei por te encontrar

    Quando te encontrei

    acabei por te amar

    Por te ter amado

    acabei por te perder

    Ao ter-te perdido

    acabei por me encontrar

     

    Encontrar a minha essência que se perdeu na tua

    Encontrar o meu caminho que se cruzou no teu

    Encontrar o meu sorriso que se perdeu no teu ódio

    Encontrar a minha luz que se perdeu no teu medo

     

    Foste trevas; escuridão

    Foste morte; obscuridade

    Foste prova de fogo; abalo

    Foste devorador da vontade

     

    Não me perdi em ti porque em ti me encontrei

    Não me abandonei por ti porque em ti me abandonei

     

    Foste tudo

    sem ser nada

    Foste fogo

    sem ser vaga

     

    Foste como chegaste

    tão escuro, tão sinistro

    Cheguei como parti

    luz no infinito

    (Maria João)

     

    Durante toda a nossa vida temos provas de fogo.Encontros e desencontros que nos testam,nos aliciam, nos iluminam. Cabe-nos a nós encontrar em fim a nossa essência

    Os acordes

     

    " O Amor Eterno existe, não pode é ser vivido"

     

     Não quero, não posso, não devo

    fecho os olhos e deixo a música entrar em mim

    acordes que conheço de cor

    que tocaste tantas vezes em mim

    acordes duma música divina

    onde tantas e tantas vezes me perdi

     

    A música do abandono

    do irracional abandono,

    de sentidos meus que só em ti descobri

    sentidos despertos, alucinantes, dilacerantes

    por ti, em ti

    sentidos que nunca vivi

    antes de ti, depois de ti

     

    A noite traz sempre consigo

    a mesma música, os mesmos acordes

    o mesmo abandono à tua mercê

    fecho os olhos ao som da música

    e nela me abandono

     

    e quero tanto despertar, quero tanto

    desse sonho eterno sem saída

    nunca mais ouvir a música, os nossos acordes

    acordes efémeros, nocturnos

    que se esfumam com a manhã

     

    (Maria João)

    A Amizade

     

     

     

    Sentimento grandioso

    quando sofremos, quando nos rimos

    quando morremos, quando parimos

    quando queremos muito, quando nem sabemos

    ele está sempre por perto

     

    Amigas,

    por vezes magoam, por vezes apoiam

    por vezes amparam, por vezes simulam

    mas estão sempre lá, por perto

     

    Amigas,

    nada vale perder uma amizade

    a mesquinhez, a ignorância

    os mal entendidos, os mal explicados

    nada vale perder uma amizade

     

    Amigas,

    não são recicláveis, não se substituem

    não são dispensáveis, não se destroem

    destruimos um prédio depois de construído?

    deitamos abaixo depois do suor, sangue e lágrimas que investimos?

     

    Não! Não quero! Não permito

    A vida é feita de maus momentos

    mas esquecemos imediatamente os bons?

    Não! Não quero! Não permito

     

    São muitas as influências externas

    quase sempre destruidoras

    são essas que devemos combater

    entre irmãs de alegrias e tristezas

    não uma guerra interna sem sentido

    sem saída, sem fim feliz

     

    Amigas,

    são eternas, são doces e amargas, são da alma

    Amigas

    são as que queremos a nosso lado

    e lutamos sempre até ao final

    porque essas vão estar connosco sempre

    nos bons e maus momentos

    (Maria João)

     

    Amargo de boca

     

     

     

    Um amargo na boca

    sabor azedo e agreste

    que sinto quando me lembro de ti

    escrevi e rasguei mil palavras

    que nunca te mandei

    que tao pouco merecias

     

    Um amargo de boca

    sabor entranhado em mim

    que deixaste quando partiste

    que devias ter levado contigo

    para esse lugar longíquo da minha mente

    onde ancoraste de vez

     

    Desta janela te vi partir

    e nela fico de olhar perdido

    cada vez menos tempo

    de cada vez mais distante

    Desta janela te vi partir

    mas desengana-te não te espero

    olho apenas o infinito céu

    que trará de volta o meu olhar

     

    O amargo de boca que sinto não és  tu

    é o sabor que deixaste em mim

    azedo e agreste

    como tu!

    (Maria João)

     

    Na beira da estrada

     

     

     

     

    Naquele dia só queria caminhar, sair rumo a um qualquer lugar

    sair daqui onde o ar me falta, onde as correntes me sufocam

    partir rumo a nada nem a ninguém, quebrar regras, desbravar caminhos

    Naquele dia acordei sem folego, sufocada por quatro paredes

    preconceitos, frases feitas, hipocrisias, suposições, convenções

    a sociedade que nos esmaga, compartimenta e avalia

     

    Aquele dia era diferente, cheirava a liberdade, a natureza

    o cheiro penetrava o meu corpo inundando os meus poros

    desafiava todos os meus sentidos, clamava por mim num grito intenso

    Aquele dia cheirava a maresia, a infinito, a eternidade

    sem passado vivido, sem futuro por viver, só um hoje aqui agora

    a alma inundada por uma energia divinal de prazer

     

    Partir sem ter onde chegar, partir sem ter que decidir

    Chegar sem ter de partir, apenas decidir chegar

     

    Voar ao sabor do vento, sem amanhã

    Chegar a lugar nenhum vinda não sei de onde

     

    A utopia de um dia 

    somente

    a utopia de um dia!

     

    (Maria João)

     

     

     

    No topo do Mundo!

     

    Quero dançar .....

     

     

     

    Olhos firmes e intensos focam um ponto distante

    onde todas as memórias estão guardadas e seguras.

     

    Nesse ponto distante, o ínicio da nossa vida

    tantos sonhos, fantasias presas por fios e teias não mais encontradas

     

    Lá voltamos tantas vezes à procura de um milagre

    que transforme a realidade nos singulares sonhos sonhados

     

    Em cada retorno a esperança, revivendo o que nunca vivemos

    cada sonho, cada desejo em cada lágrima que nos queima o peito

     

    Por lá ficaram os sonhos ensopados na nossa alma

    perdida no caminho da realidade da vida

     

    Crianças que fomos, dançando em fogueiras de vaidade, certezas nunca cumpridas

    Crianças despertas pela realidade, onde a melodia parou a meio do rodopio

     

    Os olhos intensos e firmes focam um ponto distante

    procurando aquele dia onde perdemos a chave do baú

     

    A chave dos sonhos permanece dentro de nós

    na nossa alma, no brilho dos nossos olhos

     

    Com ela o abrimos de novo, a vontade de dançar

    rodopiar nesta noite escura, a nossa realidade

     

    O brilho do olhar prenuncia o amanhecer, um novo dia

    repleto de velhos sonhos, todos, ainda por viver......

    (Maria João)

    Tempestades

     

     

     

    Há dias em que sabemos, só porque sabemos

    Há olhos que nos transportam a outra dimensão

    tempestades incontroláveis, sentimentos confusos

    percorrem todo o nosso corpo

    o coração explode em mil pedaços, sem apelo

     

    Ai, quando os meus olhos fixaram os teus

    numa tarde de um Maio distante

    a certeza invadiu os sentidos, levando consigo

    as certezas conseguidas, a vida inteira desabada sem aviso

    o passado derrubado como castelo de areia

     

    Não podia resistir, a certeza da incerteza: o único caminho

    A tempestade não acalmou, o céu não se abriu

    e o sinal que tanto pedi nunca mais chegava, nunca chegou

    tive de te viver, entranhado que estavas em mim

     

    Foste tudo por nada e por nada eu fui tua

     

    Os teus olhos....

    nunca desviei os meus dos teus

    fui levada a outra dimensão

    fui mulher, amante,amiga, dentro dos teus olhos

    entrei por eles adentro para nunca mais sair

     

    A tempestade não acabava

    não queria que acabasse, nunca, nunca!

    o fim da tempestade seria o nosso fim

    sabia-o, sempre o soube

    supliquei o eterno vendaval

    sabia, já sabia, sabemos só porque sabemos

     

    A calmaria que se seguiu

    comprovou o que sempre foram certezas

     

    Baixaste o olhar

    perdi o rumo, sofri tanto

    milhares de mãos entraram em mim,

    rasgaram o meu corpo, saboreando cada momento

     

    Não mais levantei meus olhos na ânsia de te encontrar

    pois sabia, já sabia

    as tempestades não duram eternamente

     

    FELIZMENTE NEM AS BONANÇAS!

     

    (Maria João)

     

    Cansada de te esperar ........

     

     

     

    Penduramos o nosso corpo, despimos a nossa alma

    baixamos os braços cansados da luta

    e esperamos ........

    Esperamos o quê? Porquê?

    A espera cansa o corpo cansado

    quebra o corpo quebrado, definha o corpo definhado

    A espera nada alcança

    vivemos na espera

    nascemos e morremos a esperar

     

    à espera de crescer, à espera de amadurecer

    à espera do amor eterno, à espera dos nossos filhos

    à espera da fortuna inesperada, à espera que acabe a fome

    à espera de morrer

     

    nós esperamos, a vida passa

    nós investimos, a vida foge

    estou cansada de esperar

    por ti, por mim, de nós

    não quero mais esperar, não quero mais desesperar

    apenas viver

    viver cada momento, viver cada alegria

    viver cada lágrima, viver a vida inteira

     

    cansada de esperar

    inspiro

    levanto-me

    expiro

    e vou ......

    viver

    cansada que estava de esperar!

    (Maria João)