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    RECRIAR

     

    Numa alma amordaçada

    o coração

    segue o caminho que escolheu

    Numa dor já entranhada

    na solidão

    prefere esquecer o que não viveu

    Numa vida tão amargurada

    a emoção

    só deseja o que nunca foi seu

    Na nova força encontrada

    na ilusão

    ajusta a linha do que não coseu

    Numa procura desenfreada

    a sensação

    do desejo que nunca percorreu

    Numa noite qualquer já passada

    a intenção

    de esquecer o que nunca esqueceu

    Nas lágrimas uma gota esperançada

    a criação

    do romance que escreve e nunca leu 

     

    TODOS OS CAMINHOS

     

     

     

    A sede da procura do desconhecido

    do inteiro, do calor da paixão

    me fez percorrer caminhos que não eram teus

    A sede da procura do já perdido

    do que não existia, da sedução

    me fez correr trilhos que não eram os meus

     

    A sede de querer e não poder

    do prazer simples da emoção

    me fez sair de mim numa busca do que não sabia

    A sede de morrer e renascer

    do desejo que sufocava o coração

    me fez procurar uma outra que em mim não cabia

     

    Na sede

    trilhei caminhos que não eram os teus

    perdi a noção de quais eram os meus

    Na sede

    senti em mim o que em ti não vi

    voltei aqui porque o encontrei em ti

     

     

    APRENDER

    Aprender

    a libertar as correntes

    das falsas prisões

    a cultivar as sementes

    de novas intenções

    libertar nossas mentes

    de inatas tensões

    criar novos presentes

    de outras emoções

    Aprender

    novas formas de amar

    sem do outro nada pedir

    novas formas de ficar

    sem vontade de partir

    outras formas de julgar

    sem que seja a que servir

    outras formas de tentar

    sem ter de ser a subir

    Aprender

    a respeitar

    aquilo que o Mundo quer de nós

    Aprender

    a saber dar

    p’ra que nunca estejamos sós 

    VIOLINOS

    Violinos tocam música divinal

    de seus olhos as lágrimas que nunca cairam dos teus

    as melodias que nunca depositaste nos olhos meus

    o fosso entre nós tão abismal

     

    Violinos em acordes de oração

    choram por nunca te conseguirem ter tocado

    por aquilo que começou e nunca foi acabado

    por farpas espetadas no coração

     

    Violinos que tocam como se chorassem

    notas musicais mergulhadas no mar

    nas asas de anjos como se arrastassem

     

    Sons  que nunca quiseste contigo levar

    de olhos cerrados talvez se calassem

    e nunca pudesses ser obrigado a amar